«Conversas Com Um Matemático: Matemática, Arte, Ciência e os Limites da Razão»

     

Gregory J. Chaitin
Conversas Com Um Matemático
Matemática, Arte, Ciência e os Limites da Razão

Chaitin demonstrou que «Deus joga dados», não só com a mecânica quântica, mas até com os fundamentos da matemática, onde descobriu factos matemáticos que são verdadeiros por acaso. Este livro reúne as suas conferências e entrevistas mais abrangentes e menos técnicas, sendo apelativo para pessoas interessadas na filosofia da matemática, seduzidas pelas semelhanças e diferenças entre a física e a matemática ou pelo processo criativo e pela matemática como uma arte. «Poder-se-ia esperar mais de um livro?», Nuno Crato

Gradiva «Ciência Aberta», nº 131, 172 pp., € 12,00, Novembro 2003


Expresso ACTUAL, Setembro 2004

Scientific American Brasil, Fevereiro 2004

2010, Janeiro 2004

livra.pt Portugal, Dezembro 2003

Crítica, Revista de filosofia e ensino, Dezembro 2003


Prefácio à edição portuguesa

É para mim uma honra e um grande motivo de alegria ser convidado pelo matemático Gregory J. Chaitin para escrever um prefácio à edição portuguesa do seu último livro. Por muito pouco competente e inapto que seja para essa tarefa, não posso escusarme a esse dever de amizade, pois o livro que o leitor tem à sua frente é um livro que permite, como nenhum outro, espreitar por detrás dos bastidores de uma das grandes aventuras do nosso tempo: a aventura da descoberta dos limites da matemática e dos limites da razão.

Ao longo de pouco mais de uma centena de páginas, um dos principais protagonistas dessa aventura conduz-nos numa viagem acelerada. Gregory Chaitin explica-nos o programa formalista de Hilbert, revela-nos as contribuições fundamentais de Gödel e de Turing, comenta-nos a teoria da informação algorítmica e deslumbra-nos com a surpreendente existência de aleatoriedade no santuário sagrado da razão: a matemática pura.

Os temas são de si fascinantes, mas é mais sedutor ainda ser conduzido através deles na linguagem coloquial de um dos mais importantes matemáticos contemporâneos.

Ao escolher os cinco marcos principais da lógica no século XX, Tor Nørretranders (The User Illusion, Nova Iorque, Viking, 1998) destaca o programa de Hilbert de 1900, o paradoxo de Russell de 1903, o teorema de Gödel de 1930, a teoria da informação algorítmica, nascida nos anos 60, e um teorema fundamental dos anos 80. Há um homem responsável pelos dois últimos feitos. Não é de admirar que Jacob T. Schwartz, do Instituto Courant, afirme que esse homem, Gregory Chaitin, «fez um arranhão na pedra da eternidade». É esse matemático que o leitor tem aqui como guia na aventura destas páginas.

Em Chaitin, o leitor tem também um guia vivo, que fala em discurso directo, que se interroga, que contesta e que ri. Os textos que constituem este volume são intervenções públicas, conferências e entrevistas. São por isso textos vivos, onde a linguagem técnica é evitada e onde o significado das ideias é explorado de forma a todos o entenderem.

Quem tem o privilégio de conhecer pessoalmente Chaitin admira a clareza com que se expressa, a simplicidade com que fala dos teoremas mais difíceis e profundos. Admira ainda a sua bonomia, loquacidade e vivacidade. Após ler este livro, o leitor ficará também a apreciar essas qualidades. E ficará a sentir que passou a conhecer, quase pessoalmente, este matemático.

O mais importante, contudo, é uma imagem que sai límpida deste livro, a imagem de uma matemática viva e no cerne da cultura contemporânea. Os problemas que Chaitin discute não são problemas técnicos e secundários que apenas interessam a especialistas. São problemas fundamentais, com implicações para a maneira como vemos o mundo. Poder-se-ia esperar mais de um livro?

NUNO CRATO
Outubro de 2003